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namorada
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Ser namorada não é fácil. É preciso ser amiga, para conselhos e broncas. É preciso ser mãe, quando se precisa de colo. Ser filha, para ser aconselhada. Ser mulher para se entender entre quatro paredes.
A parte difícil está em achar o equilíbrio. Se você passa muito tempo sendo uma coisa, pode não conseguir ser outra. Ser namorada é ter múltiplas personalidades e se tiver sorte, ser amada por cada uma delas.
Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 17:38 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Sobre ser...
terça-feira, 8 de julho de 2014
Sendo branca, heterossexual e de classe média, a sociedade preconceituosa só me atinge por dois motivos: ser mulher e gorda. Gorda, gordinha, grande e etc. O mundo está cheio de gente acima do peso, eu sei, mas não se deixe enganar, a gordofobia (principalmente entre mulheres) é uma epidemia. Meus dedos não são suficientes para contar quantas vezes ouvi frases como "se você emagrecesse seria linda" ou "você tem que tentar um pouco mais pra perder peso" ou a clássica "você tem que comer melhor". Eu como muito bem, obrigada. Aliás, tirando meu vício de Coca-Cola, eu como melhor que muita gente magra e eu não vejo ninguém olhando feio pra elas enquanto comem bolo de chocolate. Ouço milhares de dicas e receitas mágicas para evitar o sobrepeso como se ser gordinho fosse uma maldição (talvez seja). Todas os conselhos de "como ser saudável" nada mais são que eufemismo para "cuidado para não ficar gordo pois ser gordo não é fácil e achamos mais produtivo acabar com a sua autoestima do que repensar nossos padrões". Minha mãe, que sempre foi gordinha, me disse esses dias que o sonho dela era que existisse uma loja de departamento (tipo Renner e Marisa) só com roupas para gordinhas. Pensei bem e na verdade meu sonho é que toda loja de departamento tivesse roupas para gordinhas também. Não deveríamos ter lojas só pra gente, nem mesmo seções separas, que nada mais é que preconceito disfarçado de "moda plus size", quero poder sair às compras com a minha amiga que veste 36 e comprar o mesmo vestido que ela, só que em tamanho 48. Quero que o número G seja realmente G e não um M disfarçado. Quero que façam tamanhos grandes com consciência pois ao contrário do que acham, não somos barrigudas, somos gordinhas nos braços e nas pernas também. Vocês que entendem mais de moda que eu: isso é tão difícil assim? A questão é que é mais fácil pegar um pano branco, fazer dois cortes, chamar de "+ size" e ostentar o quão inclusivos vocês são. Afinal, gordo não compra o que gosta, compra o que serve.Ah, a sociedade livre...Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 04:24 | 1 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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o que se deixa e o que se ganha
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Mudei. Mudei de casa, de cara e de cidade. Deixei a casa da minha mãe, de três quartos, sala de jantar, quintal e varanda e ganhei um apartamento de 45m² no centro de São Paulo. Deixei a proximidade da família e o colo da mãe. Deixei a comida na mesa e a roupa lavada. Deixei as duas horas de trem e ganhei só meia hora de ônibus. Deixei a academia e ganhei caminhadas de noite no Minhocão. Deixei a correria do estágio e ganhei a dedicação à faculdade. Deixei o sonho de ser professora e ganhei o amor de trabalhar com livros Deixei a companhia de três pessoas e ganhei a companhia daquele que escolhi pra viver junto.
Deixei quem era e ganhei quem sou.
Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 19:31 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Da série coisas que qualquer um pode (e deve) entender.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Sempre tive minha parcela de problemas com erros de português. Na escola, era exemplo clássico do tipo chatinha-professor-pasquale que saía por aí apontando dedos e corrigindo meio mundo. Quando decidi fazer Letras, assumo, foi pelo simples fato de gostar de português (tanto de literatura quanto da gramática) e não por interesse na reflexão da língua. Imaginem como foi, pra mim, entrar em Letras na Universidade de São Paulo.Meu primeiro ano de faculdade foi como levar um tapa na cara e uma rasteira em seguida. Quando consegui acordar do estado de choque é que percebi como vinha repetindo e defendendo regras que eu mesma não entendia. Estudar preconceito linguístico pra mim, foi como abrir a janela de um quarto escuro pela primeira vez. Iluminador. Acredito, aliás, que todos deveriam ter pelo menos uma aula sobre o assunto. Todo mundo deveria levar esse tapa na cara decisivo na vida de qualquer falante de português-brasileiro.O triste é perceber que nem os futuros professores de português discutem preconceito linguístico em seus 4 (as vezes só três) anos de graduação. Me atordoa saber que milhares de professores formam-se todos os anos sem nunca ter aprendido que discriminar alguém pelo modo como ele emprega a língua não só é preconceito mas também é contraproducente - dizer a alguém que o modo como ele fala é "errado" não faz com que essa pessoa queira aprender o certo, só faz com que ela o menospreze.O problema - ou o começo dele - está exatamente nos anos de faculdade. Universidades que se preocupam com a qualidade de seus profissionais de Letras acabam por não formar alunos interessados no ensino de português (principalmente em escolas públicas). Esses professores acabam por serem formados, então, por outras faculdades, que nem sempre se apegam à qualificação de um professor de português competente, e é com esse professor que a massa brasileira tem aula todos os dias.
É esse professor que vai repetir mil vezes para o aluno "burro" que "mim" não conjuga verbo e que "mim ser índio" - já que, claro, é assim que os povos indígenas se comunicam (em português). É esse professor que vai despertar o ódio pelo português em seus próprios falantes. É esse professor que vai fazer com que alunos do Ensino Médio, como eu, achar que têm o direito de dizer ao amigo qual é o jeito certo de usar uma língua que é usada sem nenhum problema desde os dois anos de idade. É esse professor que vai afastar seus alunos do entendimento que a língua é dinâmica e plural, sendo ela usada de diferentes formas sem relação de superioridade entre elas. Não é fácil, eu sei, mas é necessário.Minha esperança é: se eu consegui entender, qualquer pessoa pode.
Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 00:22 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Quando...
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Queria voltar no tempo. Só um pouquinho. Não é nem para os anos 80 ou pra quando era criança no interior. Queria voltar naquele tempo onde eu era ignorante. Sim, ignorante. Sinto inveja da menina que eu era, avulsa da sociedade, mas feliz. Quando eu andava por aí inconsciente desse mundo louco e injusto em que vivo. Quando eu e minha irmã ouvimos "olha as gordinhas sexy" (que além de machista é de uma gordofobia extrema.) de um carro cheio de marmanjos e rimos, pois não sabíamos o que fazer. Quando um homem me olhava feio pois fiz alguma coisa errada no trânsito e eu morria de vergonha. Hoje em dia, tudo isso incomoda. Incomoda por quê na minha recente decisão de me mudar com o meu namorado, enquanto ele respondia se tinha gostado do apartamento, eu ouvia comentários sobre ser dona de casa e aprender a lavar roupa.
Queria voltar naquele tempo quando eu não sabia que até minha família é machista nas pequenas coisas. São as melhores pessoas que conheço no mundo mas ainda acham que é obrigação das mulheres lavar a louça depois do almoço. Não os culpo. Mas me dói. Machuca pois levei vinte anos para perceber coisas óbvias e contestar imposições preconceituosas que me revoltam. Incomoda pois passei mais da metade da minha vida dentro de escolas que me ensinavam equações de segundo grau mas falhavam em explicar que lugar de preconceito é no século passado. Demorei vinte anos para acreditar que qualquer pessoa pode lavar a louça, e que receber cantada na rua não é nenhum elogio (pelo contrário).A questão é: infelizmente não posso voltar. Agora já sei - e ainda tenho muito a aprender - e o estrago já foi feito. Fui arruinada pela consciência e aceitando o risco de ser chata e repetitiva, tenho me recusado a ficar calada diante de questões que antes passariam despercebidas na esperança de assolar mais algumas pessoas com o dádiva do discernimento.Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 23:28 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Sobre descobertas, viagens e amigos
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
"The use of traveling is to regulate imagination by reality and, instead of thinking how things may be, to see them as they are."Samuel JohnsonA vida é engraçada. Até pouco tempo atrás, em todas as minhas fantasias de viajar pelo mundo, a Escócia não estava no topo da lista de países que pretendia visitar. Recentemente, isso mudou.O desejo (e o planejamento) de uma viagem é algo muito pessoal. A verdade é: os lugares que você quer visitar dizem muito sobre você. Desde que cheguei em Dublin tenho descoberto que a vida é feita de prioridades e que é importantíssimo saber o tipo de viajante (e de pessoas!) que somos. As escolhas que fazemos quando estamos viajando por conta própria aos poucos nos dizem o que realmente gostamos de descobrir sobre novos lugares.Descobri que caminhar por construções medievais, onde há uma bagagem histórica imensurável, me interessa muito. Contemplar paisagens de tirar o fôlego, também. Conhecer ambientes particulares daquela cidade (como cinemas dentro de pubs), mais ainda. Por ter tudo isso, Edimburgo só pode ser descrita como encantadora.
Outra parte importante dessas descobertas é que geralmente não as fazemos sozinhos. Companhia é importante. E agrega. Afinal, bons momentos são melhores se são compartilhados.Até isso viagens podem te proporcionar: amigos! Vinicius de Moraes já dizia "Não fazemos amigos, reconhecemo-os" e depois de dois meses em Dublin não poderia concordar mais. Nessa cidade onde tudo é tão intenso, reconhecer amigos é como ouvir pela primeira vez aquela música que parece ter sido feita pra nós.A parte triste? Queria ficar por lá. Mas também já estava com saudades de Dublin. E logo vou embora para o Brasil.
Ah! Não tem solução...
Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 21:49 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Ignorance is bliss (?)
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Descobri, surpresa, que vivia inconsciente do mundo que me ronda. Andava por aí desconhecedora do egoísmo e do preconceito. Vivia inconsciente do desprezo que o ser humano pode nutrir por algo ser "diferente" e dessa gente que se acha no direito de decidir quem pode amar quem nesse mundo.
Me atordoou descobrir que, de dentro do meu mundo e totalmente ignorante, vivo cercada desse mal. No meu mundo respeito é essencial, o diferente significa descoberta e amor é simplesmente amor. Independente se somos da mesma cor ou do mesmo sexo. A diversidade faz parte do meu círculo de amizade assim como a liberdade e o respeito. Isso pra mim é normal.
Do meu ponto de vista, esse mundo é perfeito e me chocou saber que há, por aí, gente que não concorda comigo. Dentro de toda a liberdade e respeito que prezo, estava cega em relação à odiosidade alheia.O engraçado é que, apesar de ter certeza de que esses outros seres humanos estão também cegos dentro de seus próprios preconceitos e ignorantes da diversidade que os cerca, a dádiva da ignorância era minha.
No fim, a sortuda era eu por não saber que esse egoísmo ainda existe e é perigoso.Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 11:57 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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3 anos...
terça-feira, 9 de outubro de 2012
"Porque eu te amo, tu não precisas de mim. porque tu me amas, não preciso de ti. No amor, jamais nos deixamos completar. Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários."
Roberto FreireTudo em mim, até minha escrita, é pausado, curto. Estou sempre (des)afirmando algo. Perguntando e respondendo. Tudo muito rápido, pois meu modo é assim: pontual. Desenvolvimento nunca foi meu forte. Não desenvolvo as coisas, não deixo nada rolar.
Você, observador que é, percebeu. Gostou de mim mesmo assim e ao invés de me cobrar algo que nunca poderia cumprir, fez o contrário: desenvolveu-me. Sem perceber, trouxe seu jeito para perto de mim e eu gostei. Não admito com frequencia, mas gosto. Até hoje.Além de nós, todo o resto ainda é pontual, claro. Continuo abusando das afirmações, a diferença é que agora, para cada ponto final que tento colocar, você vem e substitui por uma vírgula.Claro que posso viver de pontos finais, assim você é capaz de viver somente virgularizando o mundo. Mas pra quê? É mais bonito viver com a pontuação completa.Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 19:46 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Silêncio.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
“And every demon wants his pound of fleshBut I like to keep some things to myselfI like to keep my issues drawnIt's always darkest before the dawn”Sempre achei o silêncio injusto. Toda essa história de paz interior nunca me convenceu. Aliás, nem acredito que ela exista. Há sempre tantas coisas para serem ditas nesse mundo! Alguns preferem guardar para si, mas não conheço um ser humano que não tenha nada para falar. Acho uma vergonha fingir não ter.Ironicamente, o silêncio tem me caído muito bem. É estranho, e estava prestes a me condenar quando percebi que não meu estado não tem nada a ver com paz interior, pois não sou o tipo de pessoa que finge não ter o que falar. Aqui dentro, ainda há coisas para serem ditas, muitas delas, mas a beleza está em não precisar dizê-las.Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 21:32 | 1 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Sem paciência...
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Quem me conhece, sabe: nunca tive muita paciência pra coisa nenhuma. A novidade? Agora não tenho paciência para pessoas. Com míseros dezoito anos de idade não tenho paciência para fingir que gosto do que as pessoas falam ou fazem. Não tenho paciência para aquele amigo que diz que morre de saudade mas nunca tem tempo pra ligar. Não tenho paciência pra turma de trinta e cinco anos que faz as mesmas coisas como se tivesse...bem, dezoito. Falta-me paciência para os dramas. Não tenho paciência para torcedor fanático e gritaria em dia de futebol. Muito menos para silêncio constrangedor. Minha paciência vai embora com idealistas que acham ter a solução para o país em uma simples frase. Não tenho paciência para ouvir a mesma pessoa contar sobre os mesmos planos sabendo que no fim, não vai correr atrás de nenhum deles. Pra falar bem a verdade, tudo que é "comum" na vida, anda me tirando a paciência. Estou sem paciência para o que repete, não evolui, não muda, fica sempre parado no mesmo lugar esperando os acontecimentos caírem do céu. Guess what? Nada cai do céu, minha gente. Nem paciência.
"Aprende que paciência requer muita prática."Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 16:55 | 3 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |