1. Fomos diferentes.

    domingo, 13 de setembro de 2015

    Desde o começo, a gente sabia que era diferente.
    Desde quando você ficou assustado com a minha idade. Desde o nosso primeiro beijo. Eu namorava e achava que estava apaixonada por outra pessoa. Desde quando você segurou minha mão como se sua vida dependesse daquilo. Desde quando você dirigia com uma mão só para poder me dar a outra. Desde quando não existia facebook e as declarações eram feitas como esta aqui, em blogs.
    Desde quando Marcelo Camelo e Mallu Magalhaes eram nossa trilha sonora oficial. Desde quando todo mundo te disse que só ia durar seis meses e você disse "então vou ser feliz esses seis meses, obrigada". Desde quando todo mundo reclamava da sua ex namorada e eu morria de medo de ninguém gostar de mim. Desde quando meus amigos me diziam que você tinha tudo a ver comigo. Desde quando você entendeu minhas amizades. Desde quando eu te aceitei como o equilíbrio necessário. Desde quando nos víamos só a cada 15 dias depois de uma viagem de 3 horas. Desde quando sua família me abraçou como se eu fosse parte dela e você já era parte da minha há anos. Desde que soubemos que liberdade fazia parte da nossa essência. Desde quando eu decidi morar fora do país e não recebi nada além de apoio. Quando vejo tanta gente triste por que acabou e quando percebi que éramos exemplo pra muita gente, percebo que fomos muito diferentes. Fomos diferentes por que sabemos que separados somos menos.
    Pra mim, a certeza de que fomos diferentes chegou definitivamente agora. Enquanto escrevo este post já que é a única forma que sei como desabafar. Sabendo que nos próximos dias irei lembrar de tantas outras formas nas quais fomos diferentes e vou querer voltar e editar esse texto todo. Fomos diferentes pois apesar de tudo, não te desejo nada além de coisas boas e espero que você, aí do outro lado, também tenha certeza de que fomos diferentes. Hoje, quando olho pra trás e vejo quantas vezes escolhemos levar a vida do nosso jeito, tenho orgulho de nós dois. Orgulho pois nunca nos desculpamos por ser diferentes. Sabíamos que essa diferença na verdade nos fazia únicos.
    Acho que por isso dói tanto. Machuca pois sei que tudo isso é muito raro e talvez só aconteça uma vez na vida e essa tenha sido a minha. Mas, não se engane, se a gente só tem uma chance na vida de ser diferente, agradeço todos os dias por ter sido com você.

  2. terça-feira, 8 de setembro de 2015

    Amar verdadeiramente as pessoas é perdoá-las por ser quem são. E esperar, com o coração na boca, ser perdoado também.

  3. Não tive tempo.

    quinta-feira, 3 de setembro de 2015

    Quando a gente volta, a única coisa que espera é que tudo esteja no mesmo lugar. Daquele enfeite no móvel da sala ao cheiro familiar no travesseiro. Seja um mês ou um ano: a beleza da volta está na familiaridade das coisas que o tempo não apaga. Pois é, voltei. Mas infelizmente não tive tempo.
    Não tive tempo de matar as saudades. Não tive tempo de te dizer que na verdade, sempre te preferi com barba. Não tive tempo de contar que o café de lá continua horrível e que o vento continua batendo como se cortasse o rosto e o coração da gente. Não tive tempo de discutir todas as coisas novas que aprendi. Não tive tempo de abraçar sem precisar ter motivo. Não tive tempo de ouvir suas aflições diárias. Não tive tempo de te apresentar para as pessoas que conheci. Não tive tempo de te contar sobre lugares que fui. Não tive tempo de te perguntar pra onde desejaria ir. Não tive tempo de perguntar qual pós graduação você decidiu fazer. Não tive tempo de te contar dos planos que fiz para 2016. Não tive tempo de ceder e aceitar que as vezes é melhor não fazer plano nenhum. Não tive tempo de me arrepender de muita coisas. Não tive tempo de contar que depois de tantos anos, seu rosto ainda era a primeira coisa que eu queria ver quando descesse do avião. Não tive tempo de te dizer que me decepcionei mas também não tive tempo de dizer que tudo bem.
    Não tive tempo, principalmente, de descansar meus olhos nos seus com a sensação de que aquilo nunca iria mudar. De de te olhar nos olhos uma última vez e me sentir a pessoa mais amada do mundo. Não tive tempo de fazer muitas coisas. Mas afinal, quem é que tem tempo?



  4. sexta-feira, 12 de junho de 2015

    Existem dois tipos de pessoas no mundo: as que correm da chuva e as que nem sequer apertam o passo...

  5. namorada

    sexta-feira, 19 de setembro de 2014

    Ser namorada não é fácil. É preciso ser amiga, para conselhos e broncas. É preciso ser mãe, quando se precisa de colo. Ser filha, para ser aconselhada.  Ser mulher para se entender entre quatro paredes.
    A parte difícil está em achar o equilíbrio. Se você passa muito tempo sendo uma coisa, pode não conseguir ser outra. Ser namorada é ter múltiplas personalidades e se tiver sorte, ser amada por cada uma delas.




  6. Sobre ser...

    terça-feira, 8 de julho de 2014

    Sendo branca, heterossexual e de classe média, a sociedade preconceituosa só me atinge por dois motivos: ser mulher e gorda. Gorda, gordinha, grande e etc. O mundo está cheio de gente acima do peso, eu sei, mas não se deixe enganar, a gordofobia (principalmente entre mulheres) é uma epidemia. Meus dedos não são suficientes para contar quantas vezes ouvi frases como "se você emagrecesse seria linda" ou "você tem que tentar um pouco mais pra perder peso" ou a clássica "você tem que comer melhor". Eu como muito bem, obrigada. Aliás, tirando meu vício de Coca-Cola, eu como melhor que muita gente magra e eu não vejo ninguém olhando feio pra elas enquanto comem bolo de chocolate. Ouço milhares de dicas e receitas mágicas para evitar o sobrepeso como se ser gordinho fosse uma maldição (talvez seja). Todas os conselhos de "como ser saudável" nada mais são que eufemismo para "cuidado para não ficar gordo pois ser gordo não é fácil e achamos mais produtivo acabar com a sua autoestima do que repensar nossos padrões". Minha mãe, que sempre foi gordinha, me disse esses dias que o sonho dela era que existisse uma loja de departamento (tipo Renner e Marisa) só com roupas para gordinhas. Pensei bem e na verdade meu sonho é que toda loja de departamento tivesse roupas para gordinhas também. Não deveríamos ter lojas só pra gente, nem mesmo seções separas, que nada mais é que preconceito disfarçado de "moda plus size", quero poder sair às compras com a minha amiga que veste 36 e comprar o mesmo vestido que ela, só que em tamanho 48. Quero que o número G seja realmente G e não um M disfarçado. Quero que façam tamanhos grandes com consciência pois ao contrário do que acham, não somos barrigudas, somos gordinhas nos braços e nas pernas também. Vocês que entendem mais de moda que eu: isso é tão difícil assim? A questão é que é mais fácil pegar um pano branco, fazer dois cortes, chamar de "+ size" e ostentar o quão inclusivos vocês são. Afinal, gordo não compra o que gosta, compra o que serve.
    Ah, a sociedade livre...


  7. o que se deixa e o que se ganha

    sexta-feira, 4 de abril de 2014

    Mudei. Mudei de casa, de cara e de cidade. Deixei a casa da minha mãe, de três quartos, sala de jantar, quintal e varanda e ganhei um apartamento de 45m² no centro de São Paulo. Deixei a proximidade da família e o colo da mãe. Deixei a comida na mesa e a roupa lavada. Deixei as duas horas de trem e ganhei só meia hora de ônibus. Deixei a academia e ganhei caminhadas de noite no Minhocão. Deixei a correria do estágio e ganhei a dedicação à faculdade. Deixei o sonho de ser professora e ganhei o amor de trabalhar com livros  Deixei a companhia de três pessoas e ganhei a companhia daquele que escolhi pra viver junto.
    Deixei quem era e ganhei quem sou.


  8. Da série coisas que qualquer um pode (e deve) entender.

    quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

    Sempre tive minha parcela de problemas com erros de português. Na escola, era exemplo clássico do tipo chatinha-professor-pasquale que saía por aí apontando dedos e corrigindo meio mundo. Quando decidi fazer Letras, assumo, foi pelo simples fato de gostar de português (tanto de literatura quanto da gramática) e não por interesse na reflexão da língua. Imaginem como foi, pra mim, entrar em Letras na Universidade de São Paulo. 
    Meu primeiro ano de faculdade foi como levar um tapa na cara e uma rasteira em seguida. Quando consegui acordar do estado de choque é que percebi como vinha repetindo e defendendo regras que eu mesma não entendia. Estudar preconceito linguístico pra mim, foi como abrir a janela de um quarto escuro pela primeira vez. Iluminador. Acredito, aliás, que todos deveriam ter pelo menos uma aula sobre o assunto. Todo mundo deveria levar esse tapa na cara decisivo na vida de qualquer falante de português-brasileiro. 
    O triste é perceber que nem os futuros professores de português discutem preconceito linguístico em seus 4 (as vezes só três) anos de graduação. Me atordoa saber que milhares de professores formam-se todos os anos sem nunca ter aprendido que discriminar alguém pelo modo como ele emprega a língua não só é preconceito mas também é contraproducente - dizer a alguém que o modo como ele fala é "errado" não faz com que essa pessoa queira aprender o certo, só faz com que ela o menospreze. 
    O problema - ou o começo dele - está exatamente nos anos de faculdade. Universidades que se preocupam com a qualidade de seus profissionais de Letras acabam por não formar alunos interessados no ensino de português  (principalmente em escolas públicas). Esses professores acabam por serem formados, então, por outras faculdades, que nem sempre se apegam à qualificação de um professor de português competente, e é com esse professor que a massa brasileira tem aula todos os dias.
    É esse professor que vai repetir mil vezes para o aluno "burro" que "mim" não conjuga verbo e que "mim ser índio" - já que, claro, é assim que os povos indígenas se comunicam (em português). É esse professor que vai despertar o ódio pelo português em seus próprios falantes. É esse professor que vai fazer com que alunos do Ensino Médio, como eu, achar que têm o direito de dizer ao amigo qual é o jeito certo de usar uma língua que é usada sem nenhum problema desde os dois anos de idade. É esse professor que vai afastar seus alunos do entendimento que a língua é dinâmica e plural, sendo ela usada de diferentes formas sem relação de superioridade entre elas. Não é fácil, eu sei, mas é necessário. 
    Minha esperança é: se eu consegui entender, qualquer pessoa pode.



  9. Quando...

    terça-feira, 18 de fevereiro de 2014




    Queria voltar no tempo. Só um pouquinho. Não é nem para os anos 80 ou pra quando era criança no interior. Queria voltar naquele tempo onde eu era ignorante. Sim, ignorante.  Sinto inveja da menina que eu era, avulsa da sociedade, mas feliz. Quando eu andava por aí inconsciente desse mundo louco e injusto em que vivo. Quando eu e minha irmã ouvimos "olha as gordinhas sexy" (que além de machista é de uma gordofobia extrema.) de um carro cheio de marmanjos e rimos, pois não sabíamos o que fazer. Quando um homem me olhava feio pois fiz alguma coisa errada no trânsito e eu morria de vergonha. Hoje em dia, tudo isso incomoda. Incomoda por quê na minha recente decisão de me mudar com o meu namorado, enquanto ele respondia se tinha gostado do apartamento, eu ouvia comentários sobre ser dona de casa e aprender a lavar roupa.
    Queria voltar naquele tempo quando eu não sabia que até minha família é machista nas pequenas coisas. São as melhores pessoas que conheço no mundo mas ainda acham que é obrigação das mulheres lavar a louça depois do almoço. Não os culpo. Mas me dói. Machuca pois levei vinte anos para perceber coisas óbvias e contestar imposições preconceituosas que me revoltam. Incomoda pois passei mais da metade da minha vida dentro de escolas que me ensinavam equações de segundo grau mas falhavam em explicar que lugar de preconceito é no século passado. Demorei vinte anos para acreditar que qualquer pessoa pode lavar a louça, e que receber cantada na rua não é nenhum elogio (pelo contrário). 
    A questão é: infelizmente não posso voltar. Agora já sei - e ainda tenho muito a aprender - e o estrago já foi feito. Fui arruinada pela consciência e aceitando o risco de ser chata e repetitiva, tenho me recusado a ficar calada diante de questões que antes passariam despercebidas na esperança de assolar mais algumas pessoas com o dádiva do discernimento.


  10. Sobre descobertas, viagens e amigos

    terça-feira, 17 de dezembro de 2013

    "The use of traveling is to regulate imagination by reality and, instead of thinking how things may be, to see them as they are." 
    Samuel Johnson

    A vida é engraçada. Até pouco tempo atrás, em todas as minhas fantasias de viajar pelo mundo, a Escócia não estava no topo da lista de países que pretendia visitar. Recentemente, isso mudou. 
    O desejo (e o planejamento) de uma viagem é algo muito pessoal. A verdade é: os lugares que você quer visitar dizem muito sobre você. Desde que cheguei em Dublin tenho descoberto que a vida é feita de prioridades e que é importantíssimo saber o tipo de viajante (e de pessoas!) que somos. As escolhas que fazemos quando estamos viajando por conta própria aos poucos nos dizem o que realmente gostamos de descobrir sobre novos lugares. 
    Descobri que caminhar por construções medievais, onde há uma bagagem histórica imensurável, me interessa muito. Contemplar paisagens de tirar o fôlego, também. Conhecer ambientes particulares daquela cidade (como cinemas dentro de pubs), mais ainda. Por ter tudo isso, Edimburgo só pode ser descrita como encantadora.





    Outra parte importante dessas descobertas é que geralmente não as fazemos sozinhos. Companhia é importante. E agrega. Afinal, bons momentos são melhores se são compartilhados. 


    Até isso viagens podem te proporcionar: amigos! Vinicius de Moraes já dizia "Não fazemos amigos, reconhecemo-os" e depois de dois meses em Dublin não poderia concordar mais. Nessa cidade onde tudo é tão intenso, reconhecer amigos é como ouvir pela primeira vez aquela música que parece ter sido feita pra nós. 


    A parte triste? Queria ficar por lá. Mas também já estava com saudades de Dublin. E logo vou embora para o Brasil.
    Ah! Não tem solução...