1. Quando não se fala nada, mas se diz tanto...

    terça-feira, 17 de maio de 2016

    Nós dois deitados na cama, em silêncio. Em um daqueles momentos em que não se fala nada mas se diz tanta coisa...
    Eu estou olhando pra você, tão de perto que você repete "acho tão legal quando dá pra ver meu reflexo dentro dos seus olhos cor de jabuticaba!"
    Já ouvi isso muitas vezes, mas quando é dito assim, com a sua alegria das descobertas cotidianas, soa diferente. Soa leve, como que se eu tivesse que escolher uma frase para ouvir pelo resto da vida, seria essa.
    Sorrio, pois ao contrario de você, não consigo ver nada. Ou melhor, vejo tudo. Seus olhos são tão claros que não vejo reflexos, só os tons de verde que se encontram e se espalham neste pedaço tão pequeno de você. Me perco por alguns segundos pensando na imensidão que a cada dia eu encontro quando te olho nos olhos desse jeito. Você sorri, mas não diz nada. Já sabe o quanto odeio ser brutalmente despertada dos meus devaneios. Que loucura, né? Tão pouco tempo e sabes tanto de mim. 

    O que não sabe é que enquanto te olho da plataforma oposta da estação, sorrindo e se despedindo em silêncio, com os olhos longe demais pra ver qualquer coisa, tudo o que eu queria era voltar pra cama.
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  2. Não é novidade...

    segunda-feira, 9 de maio de 2016

    Não é novidade. Os dias passam, ficam mais leves e eu ainda não sei abrir mão da felicidade pela escrita. Ainda bem! Escrita nenhuma vale mais que olhos claros sonolentos.
    Não é novidade. Os dias passam, ficam mais leves e eu sei muito bem o motivo.
    Ele não é de humanas, mas é tão humano. Nunca leu Machado, mas entende perfeitamente quando cito Capitu. Não faz questão de Arctic Monkeys, mas me fez lembrar da calmaria do Jack Johnson. Ele não viu metade das séries que amo, mas anotou todas as indicações. Ele odeia se explicar, mas não se importa em repetir três vezes algo que não entendi. Não fala inglês, mas vive me pedindo dicas de estudos. Nunca se interessou por trabalhos acadêmicos, mas faz questão de ler os meus. Ele é muito inteligente mas não se importa em dizer, sem rodeios "não entendi muito bem seu argumento aqui, me explica?" e 15 minutos depois deixar minha confusão ainda maior com a pergunta "tem certeza que não quer dar aula?". Ele não costuma planejar o futuro, mas vira e mexe me pergunta quando é que eu vou leva-lo para conhecer a Irlanda. Ele chegou de mansinho, mas transformou muita inquietude em...paz.
    Eu? Vejo tudo isso e percebo que não é novidade: os dias passam, ficam mais leves e eu começo a esperar que apesar de tudo, ele decida ficar.
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