1. Não tive tempo.

    quinta-feira, 3 de setembro de 2015

    Quando a gente volta, a única coisa que espera é que tudo esteja no mesmo lugar. Daquele enfeite no móvel da sala ao cheiro familiar no travesseiro. Seja um mês ou um ano: a beleza da volta está na familiaridade das coisas que o tempo não apaga. Pois é, voltei. Mas infelizmente não tive tempo.
    Não tive tempo de matar as saudades. Não tive tempo de te dizer que na verdade, sempre te preferi com barba. Não tive tempo de contar que o café de lá continua horrível e que o vento continua batendo como se cortasse o rosto e o coração da gente. Não tive tempo de discutir todas as coisas novas que aprendi. Não tive tempo de abraçar sem precisar ter motivo. Não tive tempo de ouvir suas aflições diárias. Não tive tempo de te apresentar para as pessoas que conheci. Não tive tempo de te contar sobre lugares que fui. Não tive tempo de te perguntar pra onde desejaria ir. Não tive tempo de perguntar qual pós graduação você decidiu fazer. Não tive tempo de te contar dos planos que fiz para 2016. Não tive tempo de ceder e aceitar que as vezes é melhor não fazer plano nenhum. Não tive tempo de me arrepender de muita coisas. Não tive tempo de contar que depois de tantos anos, seu rosto ainda era a primeira coisa que eu queria ver quando descesse do avião. Não tive tempo de te dizer que me decepcionei mas também não tive tempo de dizer que tudo bem.
    Não tive tempo, principalmente, de descansar meus olhos nos seus com a sensação de que aquilo nunca iria mudar. De de te olhar nos olhos uma última vez e me sentir a pessoa mais amada do mundo. Não tive tempo de fazer muitas coisas. Mas afinal, quem é que tem tempo?


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