1. O que me deu?

    quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

    Há duas semanas presenciei, na mesma noite, dois crimes sendo cometidos na minha frente.

    O primeiro, com um grupo de rapazes assaltando, a mão armada, dois carros em uma estrada. Esse me deu medo. Medo de que quem quer que fosse resolvesse levar também o próximo carro, ou seja, o meu. Me deu medo de que ali, no meio do nada, eu perdesse minhas forças e não conseguisse retornar o carro. Medo em saber que todos os atendimentos policiais são feitos daquela forma - sem paciência, preparação ou empatia.

    O segundo, já em um bar no centro da cidade, teve homem batendo em mulher. Esse me deu nojo. Nojo do homem que machuca e fere a integridade da companheira, certo da impunidade. Nojo de todos os outros homens que só conseguiam repetir "se ela está com ele, é por que gosta!" como se soubessem o que é ser mulher nesse mundo.

    Mas os dois me deram: orgulho. Orgulho de quem estava comigo e exigiu atendimento humano aos policiais. De quem correu e me ajudou a socorrer uma moça inconsciente no meio da rua. Orgulho de quem gritou e não aceitou a normalidade da agressão física, mesmo que cotidiana.

    Me deram também esperança, pois ao saber que a mesma moça estava levando adiante a denúncia ao companheiro, só consegui pensar: nem tudo foi em vão.
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