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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
As vezes escrevo, outras esqueço!Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 00:16 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Sorrimos.
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Você sorri.
- Sua voz está melhor hoje. Acordou...descansada?
- Sim...hoje teve manifestação. Muita mulher sendo linda, companheira e feminista junta.
- Era hoje? Que legal! Por que você não me falou?
- Esqueci, sei lá.
- Ah, me conta da próxima vez?
- Quer ir?
- Acho que não. Afinal, sou homem e não entendo muito do assunto. Queria saber só pra poder te lembrar.
- Pra me lembrar da manifestação?
- Não não. Pra te lembrar que você não está sozinha.
E eu sorrio.Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 02:40 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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O cansaço (e o alívio) de ser quem somos!
quarta-feira, 1 de junho de 2016
“Be yourself; everyone else is already taken.”Oscar Wilde.Hoje eu acordei em um daqueles dias em que é difícil ser quem eu sou. Todo mundo sabe do que eu to falando: aqueles dias em que parece que ser quem somos é o maior fardo do mundo.
Não me entenda mal, estava muito feliz. Tomei decisões importantes (e difíceis, diga-se de passagem) nesta semana, mas não tenho dúvidas de que foram certas.
É só que em dias como este fico um pouco cansada. Cansada de achar que talvez eu seja um pouco expressiva demais. Ou defenda minhas idéias com muita empolgação. Cansada de ir dormir pensando que devia ter ficado um pouco mais calada naquela conversa durante o almoço. Cansada de ouvir sobre ativismo e luta mas ser a única a se colocar na linha de frente. Cansada de ser punida por isso.
No meio deste cansaço e já deitada na cama, você me ligou. Depois de três frases, já sabia que era um dia daqueles. Eu nem queria explicar, pois ainda não sei exatamente como você lida com essas coisas e as chances de eu me sentir exagerando ou fazendo drama eram grandes. Você não aceitou (e obrigada por isso) e não sossegou enquanto eu não desabafei. Terminei de falar e você ficou em silêncio um tempo, pra depois dizer:
- Lembra quando você citou uma frase que dizia algo sobre não se interessar por homens que se sentissem intimidados por você?
- Aham, mas..
- Talvez você deva aplicar isso a todo o resto. Talvez você não deva perder tempo com pessoas ou lugares que fazem você se sentir desse jeito.
- É que cansa, sabe.
- Eu sei, e talvez você tenha mesmo que dizer algumas coisas com mais calma, mas isso não pode ser motivo pra você ser menos... você. Isso vai te cansar mais ainda!
E eu ri. De cansaço, de certeza e de alívio. É bom saber que mesmo nos meus momentos de cansaço ou desespero, ainda vai ter gente pronta pra me acolher.
Hoje eu acordei sabendo que é realmente difícil ser quem sou e que talvez tenha que aprender a lidar com as coisas de forma mais mansa, sim. Mas também me lembrei que não tenho escolha. Só posso confiar que a paixão e a certeza que carrego comigo serão suficientes pra me dar paz no fim do dia.
E se por algum motivo não forem, espero ter você do outro lado da linha.Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 15:19 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Quando não se fala nada, mas se diz tanto...
terça-feira, 17 de maio de 2016
Nós dois deitados na cama, em silêncio. Em um daqueles momentos em que não se fala nada mas se diz tanta coisa...
Eu estou olhando pra você, tão de perto que você repete "acho tão legal quando dá pra ver meu reflexo dentro dos seus olhos cor de jabuticaba!"
Já ouvi isso muitas vezes, mas quando é dito assim, com a sua alegria das descobertas cotidianas, soa diferente. Soa leve, como que se eu tivesse que escolher uma frase para ouvir pelo resto da vida, seria essa.
Sorrio, pois ao contrario de você, não consigo ver nada. Ou melhor, vejo tudo. Seus olhos são tão claros que não vejo reflexos, só os tons de verde que se encontram e se espalham neste pedaço tão pequeno de você. Me perco por alguns segundos pensando na imensidão que a cada dia eu encontro quando te olho nos olhos desse jeito. Você sorri, mas não diz nada. Já sabe o quanto odeio ser brutalmente despertada dos meus devaneios. Que loucura, né? Tão pouco tempo e sabes tanto de mim.
O que não sabe é que enquanto te olho da plataforma oposta da estação, sorrindo e se despedindo em silêncio, com os olhos longe demais pra ver qualquer coisa, tudo o que eu queria era voltar pra cama.Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 11:27 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Não é novidade...
segunda-feira, 9 de maio de 2016
Não é novidade. Os dias passam, ficam mais leves e eu ainda não sei abrir mão da felicidade pela escrita. Ainda bem! Escrita nenhuma vale mais que olhos claros sonolentos.
Não é novidade. Os dias passam, ficam mais leves e eu sei muito bem o motivo.
Ele não é de humanas, mas é tão humano. Nunca leu Machado, mas entende perfeitamente quando cito Capitu. Não faz questão de Arctic Monkeys, mas me fez lembrar da calmaria do Jack Johnson. Ele não viu metade das séries que amo, mas anotou todas as indicações. Ele odeia se explicar, mas não se importa em repetir três vezes algo que não entendi. Não fala inglês, mas vive me pedindo dicas de estudos. Nunca se interessou por trabalhos acadêmicos, mas faz questão de ler os meus. Ele é muito inteligente mas não se importa em dizer, sem rodeios "não entendi muito bem seu argumento aqui, me explica?" e 15 minutos depois deixar minha confusão ainda maior com a pergunta "tem certeza que não quer dar aula?". Ele não costuma planejar o futuro, mas vira e mexe me pergunta quando é que eu vou leva-lo para conhecer a Irlanda. Ele chegou de mansinho, mas transformou muita inquietude em...paz.
Eu? Vejo tudo isso e percebo que não é novidade: os dias passam, ficam mais leves e eu começo a esperar que apesar de tudo, ele decida ficar.Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 00:35 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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terça-feira, 8 de março de 2016
Hoje peguei o trem com um cadeirante. E nem foi no primeiro vagão. Ele embarcou no meio do trem mesmo, como todo mundo. Que absurdo! Entrou achando que ia encontrar um lugar para "estacionar" sua cadeira. Folgado, né? Claro que não deu, teve que ficar perto da porta mesmo. Todo mundo que tentava entrar no trem dava de cara com ele ali, no meio do caminho, atrapalhando. E todos olharam feio, bufaram, e tentavam entrar mesmo assim. Afinal gente com mobilidade reduzida deve ficar em casa, trancado, onde não atrapalha ninguém, não é mesmo?Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 22:06 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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O que me deu?
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Há duas semanas presenciei, na mesma noite, dois crimes sendo cometidos na minha frente.
O primeiro, com um grupo de rapazes assaltando, a mão armada, dois carros em uma estrada. Esse me deu medo. Medo de que quem quer que fosse resolvesse levar também o próximo carro, ou seja, o meu. Me deu medo de que ali, no meio do nada, eu perdesse minhas forças e não conseguisse retornar o carro. Medo em saber que todos os atendimentos policiais são feitos daquela forma - sem paciência, preparação ou empatia.
O segundo, já em um bar no centro da cidade, teve homem batendo em mulher. Esse me deu nojo. Nojo do homem que machuca e fere a integridade da companheira, certo da impunidade. Nojo de todos os outros homens que só conseguiam repetir "se ela está com ele, é por que gosta!" como se soubessem o que é ser mulher nesse mundo.
Mas os dois me deram: orgulho. Orgulho de quem estava comigo e exigiu atendimento humano aos policiais. De quem correu e me ajudou a socorrer uma moça inconsciente no meio da rua. Orgulho de quem gritou e não aceitou a normalidade da agressão física, mesmo que cotidiana.
Me deram também esperança, pois ao saber que a mesma moça estava levando adiante a denúncia ao companheiro, só consegui pensar: nem tudo foi em vão.Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 15:12 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Entre a Paulista e a República.
sábado, 19 de dezembro de 2015
De repente, entre a Paulista e a República:
"Espero que a leitura seja boa!" disse ele.
E deu um sorriso envergonhado, de quem foi pego cometendo um dos crimes mais graves: intrometer-se na leitura do outro. Mas ela não ligou. Aproveitou para fazer o mesmo.
Os olhos se cruzaram. Um olhar envergonhado mas de cumplicidade, de quem insiste em encontrar escapatória, mesmo que a voz ao fundo insista em anunciar a próxima estação.
"Obrigada! A sua também."
Tem coisa mais sincera pra se desejar a alguém?
Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 20:34 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Minha verdade espantada!
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
“Minha verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão”.
Clarice Lispector, em 'Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres' 1969.Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 23:30 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Marina Colasanti já sabia em 1972...
sábado, 14 de novembro de 2015
e em novembro de 2015, ainda faz sentido!
"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma."
Marina Colasanti em Eu sei, mas não devia.Postado por Isabela Martinez Milanezzi às 21:06 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |